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domingo, 7 de outubro de 2018

Cálice, Cale-se


Cálice (Cale-se)
(Chico Buarque e Gilberto Gil)

Linda interpretação dessa música pelo MPB4, em um show realizado este ano no Teatro da UFF - Universidade Federal Fluminense, em Niterói, RJ.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue


Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Tô te cuidando de longe, tô te amando no meu canto

Tô te cuidando de longe / Tô te amando no meu canto / Diga que está feliz / Que daqui eu vou me virando

Esse é o refrão da música Cuidando de Longe, que reuniu Gal Costa e Marília Mendonça, em uma das faixas do novo álbum da Gal. Um encontro de certa forma inesperado, mas em um trabalho bem cuidado e de muito bom gosto. Dizem que Gal cedeu à sofrência de Marília, mas como você pode ver no vídeo, elas parecem ter curtido muito esse encontro.

Essas parcerias entre novatas e veteranas é proveitosa para ambas, além de agradar o mercado da música e os fãs de diferentes gerações. E também permite que esses fãs conheçam melhor o trabalho de uma e de outra.

Algumas parcerias recentes, nesse mesmo estilo, renderam turnês conjuntas de sucesso, como foi o caso de Nando Reis e Anavitória ou de Zeca Pagodinho e Maria Bethânia.

É preciso destacar, porém, que o novo álbum de Gal Costa (A Pele do Futuro), vai muito além dessa parceria que estamos destacando até aqui. No disco, Gal também canta com Bethânia em uma das faixas e interpreta músicas de vários compositores, entre eles, Guilherme Arantes, Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, Djavan, só para citar alguns.

Mas vamos então começar com a música que deu o título para a publicação de hoje em nosso blog, com verso e melodia. E ao final, o álbum completo, disponível no Spotify.

Cuidando de longe
(Marília Mendonça / Juliano Tchula /Junior Gomes / Vinicius Poeta)

Amar sozinho também é amor um passarinho me contou
Que você não é só isso que aparenta ser
Sei você não sabe quem sou eu de onde esse amor nasceu
Se nunca perdeu o seu tempo pra me conhecer

Você se olha dentro do espelho
E não enxerga seu avesso sua parte mais bonita
Tenta manter escondida por de trás desse cabelo
Dentro desses olhos negros e da sua vida confusa

Quem sabe um dia isso muda e você pare pra me reparar

Tô te cuidando de longe
Tô te amando no meu canto
Diga que está feliz
Que daqui eu vou me virando

E se eu tiver distante
Não quer dizer que não amo
Tô ensaiando a despedida
Mesmo tendo outros planos



E o álbum A Pele do Futuro já está em todas as mídias digitais para você ouvir Gal Costa dando aquele show de talento que todos nós conhecemos, ao longo dos 53 anos de carreira artística dessa diva da música brasileira.


Para ter acesso direto ao álbum A Pele do Futuro,use o botão abaixo ou este link: https://open.spotify.com/album/1K9kdxE8GhOHuOnFYxoBco

Aperte o Play e vá em frente!



Referências:



sábado, 22 de setembro de 2018

Quando o segundo Sol chegar...

Taí uma coisa que eu sempre gosto de saber. De onde veio a ideia de uma determinada música. 

Em um vídeo publicado em seu canal do YouTube, o Nando Reis conta como foi a composição da música O Segundo Sol, um enorme sucesso nos anos 90.

E o mais legal é que a história que ele conta passa pela filosofia, tolerância, respeito, verdades, crenças...enfim, não foi à toa o sucesso dessa música.

O vídeo é um pouco longo para os padrões da Internet e da nossa correria por informação em gotas (15 minutos). Mas vale a pena ver com calma, se divertir com a forma tranquila e bem humorada da narrativa e no final, curtir só ele, voz e violão, cantando como será quando o segundo sol chegar.

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com o assombro exemplar
O que os astrônomos diriam se tratar
De um outro cometa

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com o assombro exemplar
O que os astrônomos diriam se tratar
De um outro cometa

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação

Explicação, não tem
Não tem explicação

Explicação, não tem
Sem explicação!

Explicação, não tem
Explicação!
Não tem, não tem!


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

E por falar em saudade, onde anda você?

Passando pelo Boteco Cevada, em Copacabana, em plena segunda-feira, ouvi aquele som, típico da MPB, tocada no banquinho e violão. Naquele dia e naquela hora, o bar estava um pouco vazio, mas a força e emoção do artista permaneciam a mesma. E me lembrei da clássica homenagem de Milton Nascimento e Fernando Brandt a esses músicos maravilhosos que encantam os nossos olhos e ouvidos, a qualquer dia, hora ou lugar.


Foi nos bailes da vida / Ou num bar em troca de pão / Que muita gente boa pôs o pé na profissão / De tocar um instrumento e de cantar / Não importando se quem pagou quis ouvir / Foi assim.

Pois nesse dia, quem estava lá, sem se importar se quem pagou quis ouvir, era o Pedrinho (Pedro Vasconcellos). Com sua voz firme, repertório distinto e interpretação suave, ele estava  encantando o cliente errante, que bebia uma cerveja e comia um bolinho de carne seca com catupiri.



E assim, a música vai fazendo a sua perenidade. Nenhuma tecnologia vai substituir a beleza e simplicidade de sentar e ouvir alguém mostrando a sua arte, ali na sua frente, sem palco, luz, maquiagem, distância.

E quando o cliente parou para filmar o Pedrinho, por uma boa coincidência (isso existe?), sabe o que ele estava tocando? "Onde anda você", de Vinícius de Moraes e Hermano Silva. Que fala de amor, de bares, e música. E deixei um pedacinho aqui para você.




E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer
E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você

Para quem ainda não conhece, o Boteco Cevada mantém essa tradição de oferecer boa música, diariamente, para o cliente fiel ou não, apenas passante, andante ou errante.

Viva a música!

Referências:

Boteco Cevada. Praça Serzedelo Correa, 27. Copacabana. (http://facebook.com/botecocevada)

Pedrinho (Pedro Vasconcellos):
Instagram: https://www.instagram.com/pedrinhomusica/
Facebook: https://www.facebook.com/pedrinhomusica/
Site: http://pedrinhomusica.com/ 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Eu quero um banho de cheiro

Tem artista que ilumina qualquer palco com sua própria luz, que canta e encanta, que muda o clima.

Elba Ramalho é uma delas e um bom exemplo foi o show de encerramento do evento Rio Gastronomia 2018, no final de agosto.

A chuva caiu forte mas o povo não arredou o pé, cantando e dançando do início ao fim. Muita alegria, bom humor e talento! Foi um banho de cheiro!

Eu quero um banho de cheiro
Eu quero um banho de lua
Eu quero navegar
Eu quero uma menina
Que me ensine noite e dia
O valor do bê-a-bá
O bê-a-bá dos seus olhos
Morena bonita da boca do rio
O bê-a-bá das narinas do rei
O bê-a-bá da bahia
Dançando alegria
Magia, magia, nos filhos de gandhi
No bê-a-bá dos baianos
Que charme bonito, foi o santo que deu
No bê-a-bá do senhor do bonfim
No bê-a-bá do sertão
Sem chover, sem colher
Sem comer, sem lazer,
O beabá do brasil