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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MPB, para ouvir e curtir, com banquinho e violão

Quando eu preparei esta lista de músicas, destinada a apresentar uma seleção cuidadosa e representativa da Música Popular Brasileira - MPB, surgiu a dúvida sobre o critério que utilizei para escolher as canções. Até porque foi um critério completamente subjetivo. Eu escutava, lembrava e incluía. Não havia um rótulo, tal como samba, rock , reggae ou forró, era o que eu mesmo classificava de MPB, com base nas minhas lembranças, no meu gosto e na minha interpretação.

Eu fiquei mais tranquilo quanto a essas escolhas depois de ler o artigo do Carlos Sandroni, na Revista CULT, onde ele afirma que: "A MPB é um constructo cultural, e como tal nem sempre existiu e nem sempre quis dizer a mesma coisa." Como o Sandroni, além de compositor e escritor, é professor, sociólogo e doutor em música, me apoiei nele para oferecer esta lista, sem preocupação com os "verdadeiros" gêneros ou rótulos dessas músicas. (Veja o artigo clicando aqui.)


Carlos Sandroni: A MPB é um constructo cultural

A verdade dos fatos não deixa dúvida que esse rótulo de MPB teve mais força nos anos 60 e 70, sendo inegável associar com Chico, Caetano, Bethânia, Elis, Milton, Djavan, Gal. E, obviamente com o grupo MPB-4. De acordo com alguns pesquisadores, o nome desse grupo musical, assim batizado em 1964, foi fundamental para popularizar a "marca" MPB. E qual a imagem que melhor a representa? Talvez seja o violão... e o banquinho.

Diferente de outras listas e álbuns que tenho publicado aqui (a maioria delas com cerca de dez músicas), esta lista é bem mais ampla e permanecerá em construção, ou seja, crescendo ao longo de algum tempo com novas músicas. Por enquanto, com pouco mais de 60 canções selecionadas uma a uma, ela proporcionará cerca de 4 horas de um som de altíssima qualidade. Você pode escutar no trabalho, na condução, pode utilizar como som de fundo de uma reunião de amigos em sua casa, curtir e cantar enquanto escutar aquelas que mais gosta, enfim, uma lista para você marcar e seguir.

Por isso, deixo aqui com você essa playlist denominada MPB Seleção.

Para ouvir e seguir esta lista no Spotify, clique aqui.

Para ouvir no Deezer, clique aqui.

Para ouvir no YouTube, clique aqui.

Como eu venho colocando um vídeo ao final de cada publicação, escolhi um que representasse a época em que essa nomenclatura começou a tomar força. Aliás, de acordo com alguns críticos musicais, foi nesse 1º Festival da MPB, com a música vencedora, Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, que Elis Regina, aos 21 anos, inaugurou a nova música popular brasileira. Como as imagens e o som do festival, ocorrido em 1965, não possuem boa qualidade, coloquei o trecho do espetáculo teatral: Elis, a Musical.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Começar de Novo

Alguns discos representam a virada em uma carreira artística. Sem dúvida, é o caso desse disco da Simone - Pedaços - lançado em 1979. A música Começar de Novo, ancorando o disco, foi a entrada de Simone no mundo da fama. Ela já era excelente e respeitada cantora, mas a música foi tema de uma série nacional de televisão - Malu Mulher - e isso foi decisivo para uma disparada de sucesso nos palcos e na TV. A série trouxe pela primeira vez o tema do feminismo e da emancipação da mulher brasileira para o horário nobre da televisão. E a música Começar de Novo, na voz de Simone, completou a receita de sucesso.

LP Simone Pedaços 1979

O melhor da história, entretanto, é que o disco é excelente do início ao fim (dos dois lados!), com um elenco de compositores de primeira grandeza. Quase todas as músicas fizeram sucesso e ficaram registradas até hoje na memória de quem gosta da boa música popular brasileira. Com voz forte, afinação perfeita e muita personalidade, suas interpretações de Começar de Novo, Sob Medida, Tô Voltando, Cordilheira, Outra Vez, Saindo de Mim, Pedaço de Mim são realmente inesquecíveis. E tudo no mesmo disco! E me lembro bem quando fui a um  show dela no Canecão, no Rio de Janeiro.


A música Começar de Novo é uma composição de Ivan Lins e Vitor Martins, reunindo verso e melodia com muita harmonia e força.

Começar de Novo


Começar de novo e contar comigo 
Vai valer a pena ter amanhecido 
Ter me rebelado, ter me debatido 
Ter me machucado, ter sobrevivido 
Ter virado a mesa, ter me conhecido 
Ter virado o barco, ter me socorrido 

Começar de novo e contar comigo 
Vai valer a pena ter amanhecido 
Sem as tuas garras sempre tão seguras 
Sem o teu fantasma, sem tua moldura 
Sem tuas escoras, sem o teu domínio 
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio 
Começar de novo e contar comigo 
Vai valer a pena já ter te esquecido 
Começar de novo


Por isso, ao registrar o talento, o profissionalismo, a qualidade de Simone, escolhi este disco para você escutar inteiro. Se for do seu tempo (é do meu), antes de dar play, imagine-se segurando o braço da agulha e o colocando delicadamente sobre o LP de vinil que está rodando. E siga da primeira até a última das onze músicas. Aqui, porém, você não vai precisar se levantar para trocar de lado.

Pedaços (1979)
Começar de Novo (Ivan Lins - Vítor Martins)
Sob Medida (Chico Buarque)
Povo da Raça Brasil (Milton Nascimento - Fernando Brant)
Condenados (Fátima Guedes)
Cordilheira (Sueli Costa - Paulo César Pinheiro)
Outra Vez (Roberto Carlos)
Vento Nordeste (Sueli Costa - Abel Silva)
Saindo de Mim (Ivan Lins - Vítor Martins)
Tô Voltando (Maurício Tapajós - Paulo César Pinheiro)
Itamarandiba (Milton Nascimento - Fernando Brant)
Pedaço de Mim (Chico Buarque)

Escute agora o "disco" no Spotify, clicando aqui.

Se preferir, escute no Deezer, clicando aqui.

Simone continua sua carreira artística fazendo shows no Brasil e em outros países. Durante a pesquisa para esta publicação, em outubro, ela está com Zélia Duncan em Portugal. Veja a agenda em http://simone.art.br/.

É claro que a música principal requer um destaque especial, com este vídeo da época do lançamento da música Começar de Novo.




Referências:

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Meu amigo Charlie Brown

Eu não me lembro bem como foi que comecei a curtir a música do Benito di Paula. Mas foi logo no início da sua carreira de sucesso. 

Comprei um de seus primeiros discos e os seguintes também.

Acompanhava sua apresentações na TV, inclusive um programa que ele apresentou na extinta TV Tupi, na década de 70, quando estava no auge da fama. Se chamava Brasil Som 75 e também virou um disco.

De repente, pra mim, ele desapareceu. Menos as suas músicas, cuja maioria eu sabia de cor e volta e meia me pegava cantarolando.

Um sambista que nasceu em Nova Friburgo e se lançou com força em São Paulo e que levava o samba no piano. Ele representou uma proposta musical realmente diferente. Dizem que o querido Paulinho da Viola compôs um samba para criticá-lo e que ele respondeu com outra música. Sei lá se isso é verdade, mas o tempo fez questão de deixar claro que havia espaço para todo mundo, principalmente para quem tem talento e público!

Capas de LP da década de 70
De uns tempos pra cá, o Benito di Paula voltou a aparecer. Suas músicas tiveram várias regravações. Foi aceito e respeitado no mundo do samba. E ele lançou um novo disco, agora em 2017. Veja mais informações sobre o Benito e sua agenda de shows no site oficial: www.benitodipaula.com.br

Eu eu, que na minha juventude fui seu fã, agora que tenho este blog de músicas, não poderia deixar de prestar minha homenagem, fazendo uma seleção de dez músicas dele, as "Top10" na minha avaliação.


"Mas se não for amor, não diga nada, por favor. Não apague esse sonho pois meu coração nunca sofreu de amor."

Músicas da playlist:
Ah, como eu amei
Charlie Brown
Se não for Amor
Não precisa me perdoar
Mulher Brasileira
Tudo está no seu lugar
Como dizia o Mestre
Bandeira do Samba
Sanfona Branca
Retalhos de Cetim

Para ouvir essa seleção de músicas no Spotify, clique aqui.


Ao preparar essa publicação, encontrei este vídeo, retratando o carinho e o respeito dos sambistas ao velho ídolo, Benito di Paula e ao seu eterno sucesso Retalhos de Cetim, no Quintal do Zeca. Confira!


Referências:
www.benitodipaula.com.br

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Música para o dia do Gaúcho!

O dia 20 de setembro é quando se comemora o Dia do Gaúcho, tendo por origem a data de início da Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha. É feriado regional no estado do Rio Grande do Sul.

Minha mãe é gaúcha de Carazinho, cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul, e por isso em mim também passa esse sangue!

Vou aproveitar a data para antecipar a nossa publicação semanal e homenagear o estado e os gaúchos com essa lista de dez músicas, interpretadas por alguns dos artistas regionais mais populares. Muitas das músicas foram feitas para enaltecer a terra, com suas características tão fortes, bem como a história local marcada por muitas guerras e seus personagens heroicos.

Esse trecho da música Querência Amada, de Teixeirinha, retrata bem essas características:
Querência amada, dos parreirais
Da uva vem o vinho
Do povo vem o carinho
Bondade nunca é demais 
Berço de Flores da Cunha
E de Borges de Medeiros
Terra de Getúlio Vargas
Presidente brasileiro 
Eu sou da mesma vertente
Que Deus saúde me mande
Que eu possa ver muitos anos
O céu azul do Rio Grande
 Ou ainda esse trecho da famosa Céu, Sol, Sul, de Leonardo:
É o meu Rio Grande do Sul
Céu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.

E aqui está a minha seleção das dez músicas gaúchas para vocẽ ouvir no Spotify (clique aqui), com a indicação de seus intérpretes.

É disso que o velho gosta (Os Serranos)
Prenda Minha (Conjunto Farroupilha)
Canto Alegretense (Neto Fagundes)
Eu sou do Sul (Os Serranos)
Parabéns Crioulo (Wilson Paim)
Quando danço um Vaneirão (Gaúcho da Fronteira)
Pára Pedro (José Mendes)
Céu, Sol, Sul (Os Araganos)
Querência Amada (Os Fagundes)
Hino Rio-Grandense (Neto Fagundes)


Me despeço por aqui, com esse trecho da música Prenda Minha, de autor desconhecido, mas que é considerada um patrimônio gaúcho:
Vou-me embora, vou-me embora prenda minha
Tenho muito que fazer
Tenho de parar rodeio, prenda minha
Nos campo do bem-querer
Fique agora com esse dueto incrível, reunindo duas gerações do cancioneiro rio-grandense: Thomas Machado (vencedor do The Voice Kids Brasil) e o veterano Gaúcho da Fronteira.



E por falar em crianças gaúchas, resolvi acrescentar este vídeo, muito fofo, do jovem e famoso youtuber Gugu Gaiteiro, interpretando a música Eu sou do Sul!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O que é, o que é?

Um dia desses eu cheguei em casa e fiquei zapeando em frente da televisão. Por sorte, estava começando um filme que eu queria assistir de novo: Gonzaga - de Pai para Filho. O filme é a história desses dois artistas maravilhosos da música brasileira, o Gonzagão e o Gonzaguinha. Como diz uma das chamadas do filme, eles dois foram separados pela vida e unidos pela música. É um drama que conta a trajetória de pai e filho, suas mágoas, brigas, separação e um final que culminou com a reconciliação e uma turnê conjunta pelo Brasil.

O que me chamou a atenção nesse filme, foi a capacidade de reunir as músicas dos dois, tão diferentes e complementares e de mostrar em um só enredo, as duas histórias. Tudo isso, juntando drama, comédia, história e música, muita música boa!

Cartaz do filme

É claro que depois do filme, eu logo pensei em compartilhar aqui com você um pouco dessas músicas do Gonzaguinha. Até porque eu já havia feito um bom e recente relato sobre o Gonzagão, quando tratei aqui do aniversário de 70 anos da música Asa Branca. Procurei entre os seus inúmeros discos de sucesso mas me detive em um projeto diferente, que me chamou a atenção. Um disco de duetos virtuais, lançado em 2015. Virtuais, pois o álbum foi feito com o uso da tecnologia, reunindo a voz de Gonzaguinha com a voz de cantores e cantoras atuais; gente que nunca teve a oportunidade de cantar com ele.

O resultado ficou muito bom. Uma homenagem diferente, com o uso da tecnologia, porém mantendo a emoção de poder ouvir em duas vozes, algumas das músicas mais bonitas do repertório de quem partiu tão cedo desse mundo mas deixou um grande legado.

Ilustração de Elifas Andreato

O título do álbum é Gonzaguinha Presente e você pode ouvir pelo Spotify (clique aqui) ou no Deezer (clique aqui).

Essas são as músicas desse álbum, indicando quem são os parceiros desses duetos:


O Que É O Que É / Citação: E Vamos À LutaGonzaguinha & Alexandre Pires
SangrandoGonzaguinha & Ivete Sangalo
Espere Por Mim MorenaGonzaguinha & Victor & Leo
Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração)Gonzaguinha & Ana Carolina
E Vamos À LutaGonzaguinha & Zeca Pagodinho
Grito De AlertaGonzaguinha & Maria Rita
Ponto De InterrogaçãoGonzaguinha & Alcione
Começaria Tudo Outra VezGonzaguinha & Lenine
Com A Perna No MundoGonzaguinha & Martinho da Vila
FelizGonzaguinha & Fagner
RecadoGonzaguinha & Luiza Possi
Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)Gonzaguinha & Zeca Baleiro
A Vida Do ViajanteGonzaguinha & Luiz Gonzaga & Daniel Gonzaga

Algumas das estrofes de suas músicas fazem com que a melodia venha de imediato em nossa lembrança; experimente essas quatro e tente ler sem cantar um pedaço de cada uma dessas músicas; vai ser difícil:

E a vida? E a vida o que é? Diga lá, meu irmão...
Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda... 
Veja bem! Nosso caso é uma porta entreaberta... 
Um homem também chora, menina morena...

E pra fechar, deixo com você esse vídeo que é o making of do álbum "Gonzaguinha Presente".



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Roupa Nova e um Sapato Velho

Há pouco tempo, em abril deste ano, fui com a minha esposa ao show do Roupa Nova. Foi uma viagem no tempo, aos tempos da juventude. A força da música dos anos 80 é tão intensa que até hoje os cantores, grupos e compositores, vendem os produtos dessa época com relativo sucesso. E lá estávamos nós cantando e dançando ao som do Roupa Nova.

Roupa Nova, nos dias de hoje
O grupo Roupa Nova fez muito sucesso e também se especializou em compor vinhetas para programas de televisão e propaganda. Simpáticos, alegres, animados, os integrantes do grupo ainda possuem projetos novos, conforme divulgaram no show. Mas o que levanta a platéia são aqueles sucessos inesquecíveis para nós e para eles também, é claro!

Por isso, voltando à ideia de destacar em nosso blog alguns álbuns importantes, resolvi escolher o álbum de lançamento do grupo, em 1981, cujo nome é o do próprio grupo: Roupa Nova. Embora eles tenham vários álbuns posteriores e algumas compilações de sucessos, esse álbum é uma marca indelével do sucesso. Das dez músicas, cinco foram sucessos incríveis, guardados na memória de quem viveu aquela época, quando os álbuns eram discos de vinil com lado A e B. Você teve este LP? Eu tive!

Álbum Roupa Nova, 1981
Roupa Nova, 1981
Lado A.
  1. Sapato Velho (Mú / Paulinho Tapajós / Cláudio Nucci) - 4:05 - canta: Serginho
  2. Pra Sempre (Flávio Venturini / Ana Terra) - 3:12 - canta: Paulinho
  3. Bem Simples (Ricardo Feghali / Mariozinho Rocha) - 2:48 - canta: Nando
  4. Um Pouco de Amor (Thomas Roth / Luiz Guedes) - 2:21 - canta: Paulinho
  5. E o Espetáculo Continua (Tavynho Bonfá / Ivan Wrigg) - 3:21 - canta: Paulinho
Lado B.
  1. Recomeçar (Eládio Sandoval / Jamil Joanes) - 2:38 - canta: Paulinho
  2. Tanto Faz (Ricardo Feghali / Fausto Nilo) - 2:47 - canta: Serginho
  3. Canção de Verão (Thomas Roth / Luiz Guedes) - 2:51 - canta: Paulinho
  4. Quem Virá (Ricardo Feghali / Márcio Borges) - 2:50 - canta: Ricardo Feghali
  5. Roupa Nova (Milton Nascimento / Fernando Brant) - 3:18 - canta: Paulinho

Eu fico até desconfiado das minhas contas, mas esse disco tem mais de 30 anos! Será que eu tô ficando velho? "É...talvez eu seja simplesmente como um sapato velho, mas ainda sirvo se você quiser, basta você me calçar, que eu aqueço os frios dos seus pés."

Com você, Roupa Nova, nesse álbum de 1981, no Spotify (clique aqui) e no Deezer (clique aqui).

E pra você, deixo também esse Sapato Velho!


Referências:
www.roupanova.com.br/
pt-br.facebook.com/roupanova

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Vinícius e o samba falado

No dia dos pais, ganhei dos meus filhos um presente daqueles que me encantam. Que foi direto ao ponto e ao momento que estou vivendo. Esse presente foi o livro Samba Falado - crônicas musicais, de Vinícius de Moraes. Na dedicatória já estava prescrito: "para trazer inspiração para o blog". Na mosca!

O livro é uma delícia no início ao fim. São crônicas sobre a música popular brasileira, que Vinícius escreveu entre 1953 e 1972. Uma viagem no tempo e na história, vendo o surgimento da bossa nova, de artistas e músicas, com histórias contadas por quem viveu e conviveu com tudo isso. O amigo e parceiro Tom Jobim é um dos principais personagens dessas crônicas. Além dele, Vinícius me fez conhecer um pouco mais do Baden Powell, Carlinhos Lyra, Pixinguinha, Elizeth Cardoso, Jayme Ovalle, Antônio Maria, João Gilberto, Astrud Gilberto, Dolores Duran, Edu Lobo, enfim, gente que ajudou a construir uma época musical.

É impressionante a capacidade de certos gênios, que só quando a gente para pra pensar, damos a atenção que merecem. Vinícius era um desses gênios, sendo escritor, poeta, compositor, cantor, diretor musical... E a perenidade de sua obra é inquestionável. A música Garota de Ipanema, que ele compôs com Tom Jobim, é a segunda música mais tocada em todo o mundo, perdendo apenas para Yesterday, de John Lennon.


Tom e Vinícius, parceiros geniais

Bom, esse pequeno livro de crônicas deve render mais de uma história aqui neste nosso blog, mas hoje vai ser dia de homenagear Vinícius, principalmente por ele ter renascido na minha memória enquanto eu caminhava pelas páginas do livro ouvindo as suas músicas e viajando no tempo.

Vou começar com dez músicas, em uma lista compartilhada, que você pode completar se quiser. Começo com a primeira que ele fez em parceria com Tom Jobim, passo pelos parceiros, passo por quando ele foi parceiro dele mesmo e termino com o seu último e fiel parceiro, Toquinho, de quem ele escreveu assim, em uma crônica de 1972:

"Encontrei novamente um parceiro para valer, ele é um jovem paulista de vinte e quatro anos, de origem calabresa, com uma pinta de menestrel medieval a quem se ajustariam muito bem um gibão de listras e um gorrinho vermelho encimado de uma pluma. Chama-se Antonio Pecci Filho, mas é conhecido pelo apelido familiar de Toquinho, apesar de seu metro e setenta - e simplesmente janta o violão: será, na minha opinião, o grande sucessor de Baden Powell, como Baden foi o de Canhoto."


Toquinho e Vinícius. Compondo!

E aqui estão as músicas escolhidas, indicando os parceiros entre parênteses:


Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Samba da Bênção (Baden Powell e Vinícius de Moraes)
Samba em Prelúdio (Baden Powell e Vinícius de Moraes)
Minha Namorada (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)
Gente Humilde (Chico Buarque, Garoto e Vinícius de Moraes)
Onde anda você (Hermano Silva e Vinícius de Moraes)
Pela Luz dos Olhos Teus (Vinícius de Moraes)
Carta ao Tom (Toquinho e Vinícius de Moraes)
Tarde em Itapuã (Toquinho e Vinícius de Moraes)

Para ouvir essa playlist no Spotify, clique aqui.

Para ouvir no Deezer, clique aqui.

E pra fechar o assunto, eu deixo você com a dupla imortal, Toquinho e Vinícius, falando e cantando sobre tristeza e felicidade.



Veja mais sobre Vinícius de Moraes, no portal oficial:
http://www.viniciusdemoraes.com.br/

Sobre o livro: Samba Falado - crônicas musicais. Organizadores: Miguel Jost, Sergio Cohn, Simone Campos. Editora Azougue: http://www.azougue.com.br/samba-falado/p

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Mamma Mia!

Trilhas sonoras de filmes e espetáculos teatrais sempre fizeram sucesso. Mas o musical Mamma Mia! é um dos maiores fenômenos desse gênero.


O grupo Abba fez grande sucesso na década de 70 com músicas alegres, vozes afinadas e ritmos variados. Este grupo sueco, de quatro integrantes (ABBA: Agnetha, Bjorn, Benny e Annifrid), não esperava que muitos anos após encerrar sua carreira conjunta (encerrada em 1982), uma ideia genial iria perenizar esse sucesso: usar algumas de suas músicas como o fio condutor de uma história a ser transformada em um espetáculo musical.

A divertida história relata os preparativos do casamento de uma jovem e seu desejo de contar com a presença do pai, que ela não sabe quem é. Ao ler o diário da sua mãe, descobre que três homens diferentes podem ser o seu pai e resolve convidar os três para a sua festa de casamento, sem contar para a sua mãe. A partir desse contexto, se desenvolve uma história de encontros e desencontros, com romance, comédia, suspense e… muita música!

O espetáculo musical foi lançado em 1999, em Londres, e desde então percorreu o mundo com inúmeras apresentações. O espetáculo já foi assistido por mais de 42 milhões de pessoas ao redor do mundo. Veja mais em mamma-mia.com.

O álbum que eu escolhi para que você ouça e curta a trilha sonora, é do filme lançado  em 2008, que também fez enorme sucesso. Com um elenco enorme e locações lindas, o filme reuniu os veteranos Meryl Streep, Pierce Brosnan e Colin Firth, e praticamente lançou a jovem atriz Amanda Seyfried, pois foi o seu primeiro papel de destaque no cinema. Aliás, uma sequência do filme Mamma Mia, já está confirmada para 2018.


Para ouvir o álbum no Spotify, clique aqui.

Para ouvir o álbum no Deezer, clique aqui.

Entretanto, neste álbum, as músicas não são interpretadas pelo Abba, até porque eles encerraram sua carreira artística conjunta muito antes da peça e do filme. Mas se você quer ouvir as gravações originais, a maioria das músicas que integram a trilha sonora estão reunidas no álbum “Abba Gold”, que você também pode ouvir a partir daqui, tanto no Spotify (aqui) quanto no Deezer (aqui).


Mamma mia, Dancing Queen, Honey Honey, The Winner takes it All... qual dessas músicas é a melhor? Difícil dizer ou escolher. Mas deixo com você este vídeo original do Abba, que eu escolhi por representar aquela que foi a de maior sucesso.




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Clássico ou pop?

Uma das características das boas músicas é superar os estilos, os arranjos originais, as vozes de seus primeiros intérpretes.

Por isso, é sempre bom ouvir músicas em suas novas versões, e para isso os artistas precisam inovar nas escolhas e apostar nas novidades.

Mas de onde vem esse papo todo? Aonde eu quero chegar?

Há pouco tempo, tive a oportunidade de assistir a uma apresentação da International Chamber Ensemble (http://icensemble.it/), uma orquestra italiana, que entre suas escolhas, pegou o repertório de Frank Sinatra para elaborar uma suíte em quatro tempos, reunindo as melhores e mais marcantes músicas gravadas pelo Rei da Voz. O resultado foi uma surpresa muito positiva.




A orquestra International Chamber Ensemble, apresenta-se regularmente, no verão, no pátio da igreja de Santo Ivo, em Roma. Ao longo do ano, ela cumpre uma agenda internacional. O Maestro e Diretor Artístico da orquestra é o professor Francesco Carotenuto. Entre as inovações dedicadas a aproximar o público da música clássica, o professor Carotenuto já elaborou suítes com músicas do cinema, tango e até Beatles. Aliás, foi a suíte Beatles que integrou a segunda parte da apresentação que eu mencionei.


Pátio da igreja de Santo Ivo, momentos antes da apresentação

Pesquisando na internet, descobri que eles tinham gravado um álbum, ao vivo, da primeira parte dessa apresentação, ou seja, interpretando alguns dos principais sucessos de Frank Sinatra. E isso me inspirou esta publicação em nosso blog.


Capa do Álbum - Frank Sinatra Suite
Para conhecer e ouvir o álbum no Spotify, clique aqui.

A suíte em que eles interpretam músicas dos Beatles ainda não foi gravada em um álbum, mas você pode ter uma ideia, ao ver e ouvir no vídeo abaixo, um trecho da música Hey Jude!


Referências:

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Nos embalos de sábado à noite

Este álbum precisa ser ouvido do início ao fim. Todas as músicas fizeram sucesso nas pistas de dança, algumas delas por muitos anos. Estou falando do disco que contém a trilha sonora original do filme "Os embalos de sábado à noite"  (Saturday Night Fever).

Álbum com a trilha sonora original do filme

Para ouvir o álbum no Spotify, clique aqui.

Para ouvir no Deezer, clique aqui.

Este disco eu ouvi e dancei inúmeras vezes. Imitei os passos e os gestos. Foi uma verdadeira febre! Ao ouvir essas músicas hoje, me vêm as melhores lembranças da juventude e das amizades.


John Travolta, na pista de dança da boate 2001 Odyssey

Esta fantástica seleção de músicas, grande parte delas composta e interpretada pelo grupo Bee Gees, transformou a disco music em um gênero novo de música pop. Até hoje, quando algum DJ se propõe a um flashback, essas músicas não podem faltar.


O filme virou uma referência obrigatória, mas a trilha sonora desempenhou um papel fundamental para que isso ocorresse. Aliás, nesse sentido, escreveu o Marcelo Müller, crítico de cinema e professor da Escola de Cinema Darcy Ribeiro e da Academia Internacional de Cinema:



"Mas, ainda que tenha seus problemas, Os Embalos de Sábado à Noite é um filme fácil de gostar, muito por conta do carisma de John Travolta, aqui construindo um personagem que figura entre os mais lembrados do cinema, e das músicas de uma trilha sonora representante como poucas do espírito setentista das discotecas. Aliás, as melodias dos Bee Gees (Stayin' Alive, How Deep Is Your Love, Night Fever e More than a Woman), justiça seja feita, também ajudaram, e muito, o filme a alcançar o status de objeto de culto." (Marcelo Müller, no portal Papo de Cinema)

Quer lembrar de algumas das cenas do filme e da sua música tema? Bom, neste vídeo de pouco mais de três minutos, é possível passear pela história do filme e ver como eram essas noites febris de sábado, com Tony Manero (personagem de John Travolta) e ao som de Night Fever, com Bee Gees.