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quinta-feira, 5 de abril de 2018

Flávio Venturini, Bach e o Céu de Santo Amaro

Um dia desses uma amiga me mostrou a música Céu de Santo Amaro, do Flávio Venturini,  e me contou que a melodia é uma adaptação de uma Cantata de Bach. E eu, na minha completa ignorância sobre esse fato fiquei quietinho na hora, como se já soubesse...

Mas todo dia é dia de aprender. Ainda mais no universo da música. E lá fui eu.

Descobri que essa história já deu pano pra manga, e até acusação de plágio chegou a ser cogitada.

Mas que nada, quem conhece a sensibilidade de Flávio Venturini e a qualidade de suas composições, deduz na hora que a inspiração e o bom gosto foram a razão fundamental da escolha. A música ficou linda e fez um enorme sucesso, principalmente na versão em dueto com Caetano Veloso, que foi tema de uma novela. Confira a letra:

Céu de Santo Amaro

Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós

A força desse amor
Nos invadiu
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você
Meu amor
Vou lhe dizer
Quero você
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu
Então
Veio a certeza de amar você






E quanto à música original de Johann Sebastian Bach? Bom, uma das características de suas composições eram as cantatas, ou seja, sinfonias cantadas, usualmente com coros ou corais.

Em seu caso, muitas delas foram feitas para a igreja luterana. É o caso da Cantata BWV 156, apresentada pela primeira vez no ano de 1729. Essas composições clássicas tinham várias partes e algumas delas por sua características, beleza, harmonia, enfim, ficavam marcadas mais do que a obra como um todo. No caso dessa Cantata, a parte inicial, instrumental, também chamada de Arioso, é um desses casos e foi a inspiração, duzentos e setenta anos depois, para a composição do Flávio Venturini.

J.S. Bach
O vídeo seguinte mostra uma interpretação dessa parte, o Arioso da Cantata BWV 156, de Johann Sebastian Bach. Interpretação de Georg Mertens (Cello) e Gavin Tipping (piano).



Para finalizar, deixo com você uma playlist de músicas do Flávio Venturini, contendo Céu de Santo Amaro, Trem Azul, Todo Azul do Mar e outros sucessos. Aperte o play e pode curtir.






http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/05/flavio-venturini-lanca-songbook-com-60-musicas-dos-40-anos-de-carreira.html


quinta-feira, 29 de março de 2018

Sala Cecília Meireles, um espaço de muita música

No domingo passado tive a oportunidade de voltar à Sala Cecília Meireles, depois de muitos anos, e dessa vez com o meu filho, para assistir a uma apresentação da OSB - Orquestra Sinfônica Brasileira.

Um espetáculo de curta duração, mas muito bem organizado, que integra a série Concerto da Juventude. Um repertório clássico, acompanhado de explicações sobre o compositor, sua época e sua música.

O que eu assisti foi o último da série Festival Mozart, com a OSB sob a regência do jovem, talentoso e premiado maestro Lee Mills. O concerto abordou um repertório dos últimos anos de Mozart e sua influência em Beethoven e teve o seguinte programa:

Wolfgang Amadeus Mozart:
Sinfonia No.40, em Sol Menor, K.550 - Molto allegro
Cosí Fan Tutte, K.588 - Abertura
A Flauta Mágica, K.620 - Abertura
Sinfonia No.40, em Sol Menor, K.550 - Allegro assai

Ludwig van Beethoven:
Sinfonia No.5 em Dó Menor, Op.67 - Allegro

Wolfgang Amadeus Mozart:
Sinfonia No.41, em Dó Maior (Júpiter), K.551 - Allegro vivace


Foi bom rever a Sala Cecília Meireles, depois de uma grande reforma. Localizada no Largo da Lapa, no centro da cidade do Rio de Janeiro, o prédio se destaca pela arquitetura e beleza. Por dentro, um tratamento acústico de primeira e assentos confortáveis. Os preços dos ingressos são bem acessíveis, principalmente para os Concertos da Juventude, realizados nas manhãs de domingo. Um excelente investimento em cultura, passeio e prazer.


Vista da plateia, esperando o início do espetáculo

Se você for nas manhãs de domingo, poderá aproveitar para um passeio nas redondezas, conhecendo a Escadaria Selarón (foto), o bondinho de Santa Teresa ou almoçando no tradicional restaurante Os Ximenes. Se for à noite, pode seguir direto do concerto para dançar um samba, em uma das casas noturnas da Lapa.


Turistando na Escadaria Selarón, toda revestida de azulejos

Para a lista de músicas desta publicação de hoje, selecionei uma das playlists elaboradas pela própria Sala Cecília Meireles e disponível no Spotify; chama-se Sala Brasileira. São vinte músicas de Heitor Villa Lobos, Francisco Mignone, Radamés Gnattali, Ernesto Nazareth entre outros representantes da nossa música instrumental.
  


Bom, agora é a sua vez de visitar a Sala Cecília Meireles e curtir uma boa música. Se não puder ir de imediato, faça essa visita virtual, acompanhando o vídeo abaixo.



Referências:

sexta-feira, 9 de março de 2018

Dia Internacional da Mulher 2018

Dia Internacional da Mulher. 8 de março. Mulher e Música. Pensando nessa combinação, que se manifesta há tantos anos de maneira harmoniosa, nossa homenagem está nesta playlist. Uma mistura de sons, ritmos, estilos, épocas e idiomas tendo em comum a interpretação feminina. Com Maria Bethânia, Gal Costa, Ivete Sangalo, Elis Regina, Nara Leão, Lady Gaga, Celine Dion, Katy Perry, Edith Piaf, Laura Pausini, Donna Summer, Anavitória, Mariah Carey, Marília Mendonça, Alcione, Maria Rita, Rita Lee, Simone e Simaria , Amy Winehouse, Mercedes Sosa e muito mais.

Essas mulheres e muitas outras você vai ouvir nesta playlist

Para ouvir esta playlist, clique aqui.



Para saber mais sobre a origem do Dia Internacional da Mulher, veja essa publicação no blog Endereço da Prevenção: https://enderecodaprevencao.blogspot.com.br/2016/03/dia-internacional-das-mulheres.html

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?

Encerrados os desfiles das Escolas de Samba, um deles se destacou pela coragem do carnavalesco. Ao se posicionar de forma clara sobre o momento político atual e conseguir fazer a ponte com o período da escravidão, a Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, do Rio de Janeiro, causou uma grande polêmica.

Vampiro Neoliberalista - personagem do carro alegórico da Tuiuti


O enredo criticou a reforma trabalhista, a precarização do trabalho, o governo Temer, as manifestações que culminaram no golpe parlamentar de 2016, enfim, uma crítica social em forma de samba, alegorias e adereços, com inteligência e independência.

Ala dos Manifestoches

Mas como o nosso blog é dedicado à música, vimos destacar aqui o samba enredo, composto pelo fabuloso Moacyr Luz, com Cláudio Russo, Jurandir, Zezé e Aníbal. Veja a beleza e a força desses versos e depois os acompanhe com a melodia em uma versão acústica. #Tuiuti #vemvindoumamelodia #carnaval2018

Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê Calunga, ê! Ê Calunga!
Preto velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação


Samba Enredo em versão acústica, interpretado por Grazzi Brasil

Referências:


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Década de 60 gerou um musical brasileiro da melhor qualidade

Tive a oportunidade de assistir, neste mês de fevereiro, ao espetáculo "60 Década de Arromba, um Documento Musical", no Theatro NetRio. E como foi bom ver gente jovem e talentosa no palco, botando pra quebrar com muita dança, música e figurinos. São 24 atores, que também são dançarinos e cantores, com uma orquestra ao vivo e muita disposição.


Esta é a cena da música: "Por favor, pare agora!"

E a Wanderléa? Bom ela é a isca perfeita para atrair o público, curioso para rever ou conhecer a famosa Ternurinha. E é perfeita, porque não decepciona. Mostra carisma, vitalidade, talento, alegria e uma emoção visível e contagiante.


Wanderléa, em plena forma, esbanjando carisma e talento

O espetáculo, prepare-se, tem mais de 3 horas de duração, considerando um pequeno atraso no início e um intervalo.

Mas dá gosto de ver uma produção muito bem cuidada, uma equipe talentosa e várias inovações cênicas.

Pra quem gosta de música, é imperdível, uma vez que a trilha sonora da década de 60 é apresentada tanto com os sucessos nacionais quanto os internacionais. Artistas que ainda hoje são conhecidos e lembrados e outros nem tanto, daquela época, aparecem nas projeções de fotos com recortes de jornais e revistas, áudios e vídeos. Ao mesmo tempo, os atores-cantores-dançarinos nos brindam com interpretações coreografadas dos sucessos do rádio, cinema e TV.

O viés cômico do grupo, garante boas risadas ao longo do espetáculo. A produção cuidadosa e detalhista garante surpresas cênicas, do início ao fim. E aos saudosistas, a presença de Wanderléa garante a emoção de vê-la tão bem, cinquenta anos depois dessa festa de arromba que ela participou tanto e ajudou a marcar a história da música dos anos 60.


O Carnaval representado no espetáculo

A resenha oficial do espetáculo, sucesso no Rio e São Paulo, diz assim:


Fruto de uma extensa pesquisa feita por Frederico Reder e Marcos Nauer, 60! Década de Arromba – Doc. Musical começa com um prólogo, em 1922, contando a chegada do Rádio no Brasil, para em seguida mostrar o início da Televisão e aí sim, sua popularização na década de 1960.  A partir desse ponto, a peça narra os principais acontecimentos, apresentando mais de cem canções dos mais diversos gêneros. De Roberto e Erasmo, passando por Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, Elvis Presley, Beatles, Tony e Celly Campello, Bibi Ferreira, Edith Piaf, Tom e Vinicius, Milton Nascimento, Gil e Caetano, Maysa, Geraldo Vandré e tantos outros nomes importantes na música.


O nosso blog é assim, se a música foi tratada com carinho e respeito, tem espaço garantido por aqui. Afinal, Vem vindo uma Melodia!

#vemvindoumamelodia #60docmusical

Assista aqui a uma das cenas do espetáculo, mesclando a referência ao lançamento da boneca Barbie com o sucesso da música Estúpido Cupido.



Referências:


https://www.facebook.com/60docmusical/

https://pt.wikipedia.org/wiki/60!_Década_de_Arromba_-_Doc._Musical

http://www.theatronetrio.com.br/pt-br/programacao/487/60!_DÉCADA_DE_ARROMBA_-_DOC._MUSICAL_-_ÚLTIMAS_SEMANAS.html