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domingo, 21 de janeiro de 2018

Dona Ivone Lara, a Primeira Dama do Samba

No final do ano passado, eu ganhei da minha filha o livro Dona Ivone Lara - A Primeira Dama do Samba, do jornalista Lucas Nobile (Obrigado, Mariana!). O livro integra o projeto Sambaboook, que faz homenagens em forma de CD, DVD e livro aos grandes nomes do Samba.


Dona Ivone Lara recebe homenagem dos amigos

Confesso que conhecia muito pouco dessa artista, embora já tivesse ouvido, cantado e dançado suas músicas tantas vezes e muitas delas sem saber da autoria.


Livro do Jornalista Lucas Nobile

O livro é uma delícia do início ao fim. Ele nos faz conhecer a trajetória de uma mulher trabalhadora da área de saúde, que se transformou em uma referência da música popular após sua aposentadoria. Isso mesmo, Ivone Lara, que é Assistente Social, trabalhou por 37 anos na área de sua formação, em um hospital do Rio de Janeiro. Depois da aposentadoria é que ela passou a se dedicar exclusivamente à música, consolidando uma carreira artística de sucesso.


Dona Ivone Lara, a Primeira Dama do Samba

A quantidade de compositores com que ela construiu seu trabalho é outro dado incrível, mas sem dúvida foi Délcio Carvalho o mais constante e o responsável pelas parcerias de maior sucesso. Ivone, na maioria das músicas foi autora da melodia, exercitando seu ouvido e sentimento musical e sua habilidade de tocar o cavaquinho. Mas em muitas delas ela fez tanto os versos como a melodia.

Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho

Uma curiosidade é o prenome "Dona" incorporado ao seu nome artístico. Embora possa haver dúvida sobre quem a batizou dessa forma, a mais forte referência é que isso se firmou por influência do radialista Adelzon Alves, que apresentava um programa de rádio na madrugada, dedicado à música brasileira e principalmente ao samba. Por ela ter chegado à vida artística com mais de 50 anos, casada e com filhos, a reverência do prenome "Dona", foi enfatizada por ele, que produziu os discos inciais da sua carreira. Assim, a jovem senhora, aposentada e sambista, passou a ostentar o simpático e respeitoso nome de Dona Ivone Lara.

Suas músicas foram sucessos na carreira de vários cantores entre eles, por exemplo, Roberto Ribeiro (Acreditar), Maria Bethânia (Sonho Meu), Jorge Aragão (Enredo do meu Samba) e Clara Nunes (Alvorecer). E esses sucessos ajudaram que viesse o reconhecimento público do seu talento.

Bom, é muita história pra contar mas você tem que ler o livro para saber os detalhes.

Aqui em nosso blog, preparei esta playlist com mais de 60 músicas de Dona Ivone Lara. Na lista constam apenas músicas que ela compôs, sozinha ou com seus inúmeros parceiros ao longo da vida artística. A maioria delas, em gravações da própria Ivone e algumas em dueto. Poucas delas, as que eu não encontrei em sua própria voz, estão com outros intérpretes.

Para ouvir a playlist no Spotify, clique aqui.

Para ouvir no Deezer, clique aqui.

Para ouvir no YouTube, clique aqui.



Informo a vocês que Dona Ivone Lara, atualmente com 96 anos, está aposentada pela segunda vez. Ouvindo e cantando músicas em sua casa, essa maravilhosa artista merece continuar recebendo muitas homenagens e agradecimentos por ter nos presenteado com tantas músicas lindas.

Neste vídeo, uma das lindas homenagens que ela recebeu, com diversos artistas interpretando o seu maior sucesso: Sonho Meu.





Sonho Meu
(Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara)

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
E a madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite na boca do vento
Fazer a dança das flores no meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor

Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor
Sonho meu

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva Musical 2017

Temos vivido tempos estranhos... Mas a música brasileira, por meio de seus artistas brilhantes, sempre tem uma forma diferente de expressar sua crítica, até mesmo de forma bem humorada.

E este é o caso de Edu Krieger, compositor e cantor, com vasto repertório gravado por diferentes artistas da música popular brasileira contemporânea. Todos os anos, ele prepara uma retrospectiva musical, com inteligência, crítica sutil e harmonia.

Edu Krieger, compositor e cantor brasileiro

Por isso, entre tantas listas e playlists que estão rodando a internet, o nosso blog escolheu homenagear a capacidade criativa do Edu Krieger, que preparou essa retrospectiva musical de 2017.

Feliz 2018, com muita música!



Para saber mais sobre Edu Krieger e sua música:
https://www.facebook.com/edukriegeroficial
https://www.youtube.com/user/oficialedukrieger
https://open.spotify.com/artist/3Nj6wHcE9eQNkQNJ3Zudwy

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

50 anos de músicas, com Chico Buarque de Hollanda

Chico Buarque de Hollanda lançou o seu primeiro disco em 1966. E a primeira música do lado A desse LP de estreia foi um tremendo sucesso - A Banda.

Um dia desses, na casa da minha mãe, peguei esse disco histórico em mãos. Retirei da capa, olhei dos dois lados, praticamente sem um arranhão, e cuidadosamente fiz voltar ao seu lugar. Jóia rara!

De lá pra cá, Chico Buarque percorreu uma trajetória impecável de competência, talento e sucesso. Poeta, compositor, cantor, escritor, produtor, artista completo e intelectual. Atuante, ativista, presente, corajoso. Mas acima de tudo isso, paira a sua música e poesia.

Caravanas - o novo disco de Chico Buarque, lançado em 2017

É difícil selecionar suas melhores canções, ou seus maiores sucessos. Depende do que estamos querendo ouvir em determinado momento. Volta e meia nos pegamos cantarolando alguma de suas músicas. Afinal elas estiveram presentes nas rádios, na televisão, no teatro e no cinema, ao longo dos últimos cinquenta anos. Como se não bastasse, neste ano de 2017, ele lançou um disco novo!



Para representar a obra de Chico Buarque, esta playlist foi criada a partir de uma seleção cuidadosa, passando por cada um de seus principais álbuns ao longo desse tempo. Começando pela Banda, passando pelo Cotidiano com uma Feijoada Completa e fechando com a Tua Cantiga em meio a Caravanas. São cerca de 40 músicas de inquestionável sucesso e qualidade. Mesmo assim, se você preferir, joga pedra na Geni!

Pode curtir e seguir, que vale a pena. Bom proveito.

Para ouvir a lista de músicas no Spotify, clique aqui.



Na seleção musical acima apresentada, um dos destaques, com certeza, é a música Geni e o Zepelim, que integra o Musical Ópera do Malandro, de 1978. Por isso selecionei este vídeo para completar a publicação.




Geni e o Zepelim
(Chico Buarque de Hollanda)

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato

E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"

Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir

Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco

Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dia Nacional do Samba - 2 de dezembro

O Dia Nacional do Samba é celebrado em 2 de dezembro. Há muitas pesquisas sobre a origem do samba, sua história e seus personagens principais. Se quiser saber mais sobre essas histórias e pesquisas, veja as referências que estão no final desta publicação.

Mas como este nosso blog é dedicado a promover a música e oferecê-la em formato de álbuns e playlists, resolvi ser mais sucinto e ir direto ao ponto. Por isso, aqui está uma lista de mais de 100 sambas, músicas inesquecíveis, versos e melodias perfeitamente harmonizadas. A playlist tem Martinho da Vila, Clara Nunes, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro, Agepê, Alcione, Zeca Pagodinho e muito mais!

Para acessar a lista no Spotify, clique aqui.



E para encerrar, um vídeo que retrata a preocupação da velha guarda com o destino do samba, mas que mantém a esperança que o Samba agoniza, mas não morre. Com você, o poeta e compositor Nelson Sargento interpretando esse seu grande sucesso em uma verdadeira roda de samba.

Samba,
Agoniza mas não morre,
Alguém sempre te socorre,
Antes do suspiro derradeiro.

Samba,
Negro, forte, destemido,
Foi duramente perseguido,
Na esquina, no botequim, no terreiro.

Samba,
Inocente, pé-no-chão,
A fidalguia do salão,
Te abraçou, te envolveu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você não percebeu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você não percebeu.

Samba,
Agoniza mas não morre,
Alguém sempre te socorre,
Antes do suspiro derradeiro.

Samba,
Negro, forte, destemido,
Foi duramente perseguido,
Na esquina, no botequim, no terreiro.

Samba,
Inocente, pé-no-chão,
A fidalguia do salão,
Te abraçou, te envolveu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você não percebeu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você não percebeu.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Whitney Houston - A Voz


Ela é considerada uma das maiores cantoras de todos os tempos. Juntando voz, presença, versatilidade, sucesso, beleza e polêmica. Whitney Houston foi um fenômeno da música pop nos EUA e no mundo. 

Há pouco mais de um mês eu assisti ao documentário: Whitney: Can I be me?, que foi lançado na Netflix. Fiquei surpreso e emocionado com a história dessa diva; seu começo, ascensão e sucesso inquestionável. Foram centenas de prêmios que a consagraram, milhões de cópias de discos vendidos. Além de seus discos e shows, Whitney também atuou como atriz em seis filmes. Ela morreu em 2012, com 48 anos, supostamente por causa de problemas decorrentes do consumo excessivo de álcool e drogas.

Assista ao trailer desse documentário aqui em nosso blog:


Ela já era famosa mas, em 1992, com o lançamento do filme O Guarda Costas (The Bodyguard), sua carreira artística foi ao estrelato máximo. Sua atuação como protagonista, tendo Kevin Costner como coadjuvante, foi um sucesso; o filme bateu recordes de bilheteria e a trilha sonora acompanhou esse desempenho, vendendo 44 milhões de cópias em todo o mundo, capitaneado pela música I Will Always Love You.
Por isso, ao escrever sobre Whitney Houston, escolhi o álbum dessa trilha sonora para compartilhar com você. Desse álbum, ela gravou seis das treze músicas.


Lista das músicas do álbum "The Bodyguard":

1. "I Will Always Love You" - Whitney Houston (Parton)
2. "I Have Nothing" - Whitney Houston (Foster/Thompson-Jenner)
3. "I'm Every Woman" - Whitney Houston (Ashford/Simpson)
4. "Run To You" - Whitney Houston (Houston/Friedman/Rich)
5. "Queen Of The Night" - Whitney Houston (Babyface/Houston/Reid/Simmons)
6. "Jesus Loves Me" - Whitney Houston (Caldwell/Winans)
7. "Even If My Heart Would Break" - Kenny G And Aaron Neville (Golde/Gurvitz)
8. "Someday" - Lisa Stansfield (Devaney/Morris / Stansfield)
9. "It 'S Gonna Be A Lovely Day" - The S.O.U.L S.Y.S.E.M. (Clivillés/Cole/Never/Scarborough/Visage/Withers)
10. "(What 'S So Funny 'Bout) Peace, Love And Understanding" – Curtis Stigers (Lowe)
11. "Waiting For You" - Kenny G
12. "Trust In Me" - Joe Cocker Feat. Sass Jordan (Beghe/Midnight/Swersky)
13. "Theme From Bodyguard" – Alan Silvestri (Silvestri)


Para ouvir este álbum completo agora no Spotify, clique aqui.

Para ouvir o álbum no Deezer, clique aqui.

Para conhecer todo o repertório de Whitney Houston  disponível no Spotify, clique aqui.



É isso, Whitney, I will always love you! R.I.P.




Referências: