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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Música ao vivo na Feira da Glória

A Glória é um bairro tradicional da cidade do Rio de Janeiro, que está na história e nas crônicas da cidade, com várias referências conhecidas do público. Entre elas, por exemplo, a Igreja do Outeiro da Glória, a Marina da Glória, o relógio da Glória, o Palácio São Joaquim ("Casa do Bispo"). Além de estabelecimentos comerciais antigos e tradicionais, como os restaurantes Taberna da Glória, Vila Rica e Casa da Suíça.

O bairro é predominantemente residencial, apertado entre a Lapa e o Catete, ou seja, em uma localização privilegiada, ainda mais com a Estação do Metrô que leva o seu nome.


Música ao vivo, na Feira da Glória

Mas de todas essas referências, a que me faz escrever esse texto é a Feira da Glória. A feira livre que é realizada aos domingos, ao longo da Avenida Augusto Severo e terminando (ou começando) no Largo da Glória. E é exatamente no Largo da Glória que eu estava em um domingo, acompanhando mais uma apresentação dessa gente maravilhosa: os músicos que tocam nas ruas e praças. No entorno de uma banca de cerveja e bolinhos de bacalhau (Bacalhau do Mazzaropi), lá estavam o Reinaldo e seus amigos, voz, violão, cavaquinho e percussão eletrônica alegrando o povo que sentado ou em pé, cantava junto, dançava, sorria e aplaudia aquele repertório alegre. Quem quisesse e pudesse colaborar, colocava sua contribuição ali mesmo, mas a música era pra todos.


Erika e a sua voz de uma grande sambista

Na informalidade da rua, e nos imprevistos, de repente chegou a Erika, para dar uma canja e ali ficou por um bom tempo surpreendendo os passantes e os ficantes com sua voz firme, mandando bem no samba, com um repertório de primeira. Coloquei uma pouquinho dessa experiência no vídeo abaixo. Mas só um pedacinho, pra você ficar com vontade de passar por lá e ver quem estará se apresentando.

Já escrevemos aqui várias vezes sobre os músicos que também tocam e cantam nas ruas. E vamos continuar registrando esses artistas geniais e corajosos, que a gente encontra sem querer e depois sempre quer mais.



No vídeo, a interpretação da música de Mauro Duarte, que fez sucesso na voz de Clara Nunes:

Lama

Pelo curto tempo que você sumiu
Nota-se aparentemente que você subiu
Mas o que eu soube a seu respeito
Me entristeceu, ouvi dizer
Que pra subir você desceu
Você desceu

Todo mundo quer subir
A concepção da vida admite
Ainda mais quando a subida
Tem o céu como limite

Por isso não adianta estar
No mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente.

Sei que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente!

Essa música está na memória de todos nós com a voz de Elis Regina. Mas seus autores são João Bosco e Aldir Blanc. No vídeo que segue depois da letra, João Bosco toca e canta esse sucesso em um show. Na verdade, quem canta e se emociona é a plateia. E eu, ao reproduzir aqui esta poesia. Viva a música!



O bêbado e a equilibrista

Caía
A tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua
Tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!

Louco
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil

Que sonha
Com a volta do irmão do henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete

Chora
A nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei
Que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente:
A esperança
Dança, na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar



Referência da imagem: